* Ao aluno que responder aqui no Blog à questão proposta, será atribuído 1,0 (Extra) à média do 3º Bimestre, em Filosofia.
* Para as turmas 1ºB, C, D, E e F.
* Data limite para postagem de comentários: 14/09/2011.
Adolescência, cultura, vulnerabilidade e risco
Por: Dra. Maria Ignez Saito
Médica chefe da Unidade de Adolescentes do Instituto da Criança HC - FMUSP. Doutora em Medicina. Departamento de Pediatria FMUSP.
A adolescência deve ser encarada como etapa crucial do processo de crescimento e desenvolvimento cuja marca registrada é a transformação, ligada aos aspectos físicos e psíquicos do ser humano, inserido nas mais diferentes culturas.
As modificações físicas constituem a parte da adolescência denominada puberdade, caracterizada, principalmente, pela aceleração e desaceleração do crescimento físico, mudança da composição corporal, eclosão hormonal envolvendo hormônios sexuais e evolução da maturação sexual, que pode ser acompanhada através do desenvolvimento de caracteres sexuais secundários masculinos e femininos. Evoluem paralelamente às mudanças corporais aquelas de ordem psico-emocional, que foram, por Knobel e Aberastury, reunidas na Síndrome da Adolescência Normal. Constituem características importantes dessa síndrome a busca da identidade, a tendência grupal, o desenvolvimento do pensamento conceitual, a vivência temporal singular, a evolução da sexualidade, havendo, por vezes, um descompasso entre o corpo pronto para a reprodução e o psíquico despreparado para esse evento.
Enquanto a puberdade é parâmetro universal, repetindo-se de maneira muito semelhante para todos os indivíduos, a adolescência é praticamente única, singular para cada um, sofrendo inclusive influências socioculturais, o que a faz ser vivenciada de maneira diferente até por indivíduos da mesma família.
Para que possam ser analisadas as relações entre adolescência e cultura, faz-se necessário o entendimento da cultura como a maneira pela qual um grupo se estrutura e configura suas relações sociais. A cultura faz com que a conduta humana seja previsível dentro de um certo leque de possibilidades, variável em cada sociedade. É relevante lembrar que o conceito de adolescência não nasceu com o início dos tempos, mas delineou-se como resultado da reflexão humana sobre a singularidade dessa etapa de passagem entre a infância e a adultícia. Esse período é extremamente relevante para a construção do sujeito individual e social, devendo ser porém considerada sua vulnerabilidade e risco.
Chega-se, então, à conclusão de que a própria adolescência é uma invenção da cultura, um produto da industrialização, da tecnologia, da mídia, da globalização, exigindo uma contínua adaptação para que o adolescente ingresse como sujeito na vida adulta.
A cultura permeia, sem dúvida, o processo de socialização, que já foi definido como "o processo pelo qual um indivíduo aprende e adota idéias, crenças, atitudes, normas e valores de cada sociedade". A resposta do adolescente será mais ou menos adequada dependendo de sua história de vida e do seu grau de adaptação à sociedade em transformação.
(...)
Em relação ao adolescente propriamente dito, risco e vulnerabilidade estão muito ligados às características próprias do desenvolvimento psico-emocional dessa fase da vida. A busca de identidade leva ao questionamento dos padrões adultos e, portanto, da autoridade de pais, professores... A exposição ao novo funciona como um grande desafio vinculado à onipotência do adolescente que se julga sempre vencedor; por outro lado a timidez e a baixa auto-estima podem torná-lo potencialmente frágil, levando-o à vinculação com soluções externas inadequadas para os seus problemas (uso de drogas).
A tendência grupal induz muitos jovens a assumirem comportamentos para os quais não estão preparados – experimentar drogas, iniciar relacionamento sexual, entre outros. Na vivência temporal singular, misturam-se ansiedade, desejo de viver tudo rápido e intensamente, não havendo lugar para a espera ou julgamento.
As vivências da sexualidade trazem também possibilidades de risco como a gravidez precoce; a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis; o aborto, que podem comprometer o projeto de vida ou até a própria vida.
A família é o primeiro grupo de referência na história dos indivíduos. Famílias desestruturadas contribuem para o esgarçamento da personalidade, tornando as pessoas frágeis e vulneráveis, podendo assim favorecer a inserção do risco. A ausência do afeto impossibilita a introjeção do mesmo, criando um vazio a ser preenchido das mais diferentes maneiras, que podem envolver inclusive a gravidez precoce e seus desdobramentos.
O modelo familiar funciona também como fator de proteção, onde estão presentes o amor, o compromisso, o respeito, o diálogo e também os limites que devem ser colocados com autoridade e afeto e nunca com autoritarismo. É necessário que o maior ensinamento seja o uso da liberdade vinculado à responsabilidade.
Fonte: http://pediatriasaopaulo.usp.br/upload/html/473/body/01.htm. Acesso em 30/08/2011.
A partir da leitura atenta do texto, responda às seguintes questões:
a) Quais são os problemas apontados pelo texto, vividos pelos jovens entre os 12 e os 18 anos que caracterizam a chamada Síndrome da Adolescência Normal?
b) De que forma eles podem ser encarados pela família e pela sociedade?
c) "A busca de identidade leva ao questionamento dos padrões adultos e, portanto, da autoridade de pais, professores..." Discuta esse trecho do texto.