COMUNIDADE, SOCIEDADE, CIDADANIA
Comunidade: Grupo ou conjunto de grupos sociais que ocupam uma área relativamente pequena, geograficamente delimitada, cujos membros estão ligados entre si por laços de sangue e mantêm a mesma herança cultural e histórica.
Sociedade: Coletividade organizada e estável de pessoas que ocupam o mesmo território, falam a mesma língua, compartilham a mesma cultura, são geridas por instituições políticas e sociais aceitas de forma consensual e desenvolvem atividades produtivas e culturais voltadas para a manutenção da estrutura que sustenta o todo social.
COMUNIDADE E SOCIEDADE
Para o sociólogo alemão Ferdinand Tönnies, a comunidade é definida pelo ato de “viver junto, de modo íntimo, privado e exclusivo”, como na família, nos grupos de parentescos, na vizinhança e na aldeia camponesa. Já sociedade é definida como “vida pública”, como uma associação na qual se ingressa consciente e deliberadamente. Nas comunidades, os indivíduos estão envolvidos como pessoas completas, que podem satisfazer todos os seus objetivos no grupo. Nas sociedades, os indivíduos também se encontram envolvidos entre si; mas a busca da realização de certos fins é específica e parcial. Uma comunidade é unida por um acordo de sentimentos ou emoções entre pessoas, ao passo que a sociedade é unida por um acordo racional de interesses, ou seja, por regras ou convenções racionalmente estabelecidas. Assim, a comunidade é um tipo de agrupamento humano no qual se observa um elevado grau de intimidade e coesão entre seus membros. Nela predominam os contatos sociais primários e a família tem um papel especial.
A sociedade, em contrapartida, é formada por um conjunto de leis e regulamentos racionalmente elaborados. É o que acontece, por exemplo, nas grandes sociedades urbanas industriais. Ali, as relações sociais tendem a ser formalizadas e impessoais; os indivíduos não mais dependem uns dos outros para seu sustento e estão muito menos comprometidos moralmente entre si.
Portanto, a expressão sociedade designa agrupamentos humanos que se caracterizam pelo predomínio de contatos sociais secundários e impessoais, próprios para sociedade industrial, em que há uma complexa divisão do trabalho e o estado é sustentado por forte aparado burocrático.
CIDADANIA
Segundo o sociólogo Herbert de Souza (Betinho), “cidadão é um indivíduo que tem consciência dos seus direitos e deveres e participa ativamente de todas as questões da sociedade. Tudo o que acontece no mundo, acontece comigo. Então eu preciso participar das decisões que interferem na minha vida. Um cidadão com sentimento ético forte e consciente da cidadania não deixa passar nada, não abre mão desse poder de participação (...). A idéia de cidadania ativa é ser alguém que cobra, propõe e pressiona o tempo todo. O cidadão precisa ter consciência do seu poder”.
Aprender a ser cidadão e cidadã é, entre outras coisas, aprender a agir com respeito, solidariedade, responsabilidade, justiça, não-violência; aprender a usar o diálogo, nas mais diferentes situações e comprometer-se com o que acontece na vida coletiva da comunidade e do País. Esses valores e essas atitudes precisam ser aprendidos e desenvolvidos pelos estudantes e, portanto, podem e devem ser ensinados na escola.
Cidadania são os direitos e deveres do cidadão. Ela pode ou não ser exercida, mas, ao contrário da Ética, que só existe quando o próprio indivíduo a reconhece e a impõe a si, a cidadania é concedida à pessoa quando o grupo (o país onde ele mora, por exemplo) o reconhece como cidadão. Ninguém nasce cidadão, mas torna-se cidadão pela educação. Cidadania é, nesse sentido, um processo que começou nos primórdios da humanidade e que se efetiva através do conhecimento e conquista dos direitos humanos, não como algo pronto, acabado; mas, como aquilo que se constrói.
Cidadania são os direitos e deveres do cidadão. Ela pode ou não ser exercida, mas, ao contrário da Ética, que só existe quando o próprio indivíduo a reconhece e a impõe a si, a cidadania é concedida à pessoa quando o grupo (o país onde ele mora, por exemplo) o reconhece como cidadão. Ninguém nasce cidadão, mas torna-se cidadão pela educação. Cidadania é, nesse sentido, um processo que começou nos primórdios da humanidade e que se efetiva através do conhecimento e conquista dos direitos humanos, não como algo pronto, acabado; mas, como aquilo que se constrói.
Se todos os seres humanos tornarem-se conscientes de que são cidadãos do universo capazes de tratar com respeito à natureza e seus semelhantes, certamente teremos em nosso planeta não apenas um ambiente saudável e equilibrado, mas também um ambiente ético, livre da violência e de outros comportamentos doentios de algumas pessoas.
Embora a palavra cidadania possa ter vários sentidos, atualmente sua essência é única: Significa o direito de viver com dignidade e em liberdade. Segundo o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, “é o direito de se ter uma idéia e poder expressá-la. É poder votar em quem quiser sem constrangimento. É processar um médico que cometa um erro. É devolver um produto estragado e receber o dinheiro de volta. É o direito de não ser discriminado por sua raça e cor, ou de praticar uma religião sem ser perseguido”.
Embora a palavra cidadania possa ter vários sentidos, atualmente sua essência é única: Significa o direito de viver com dignidade e em liberdade. Segundo o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, “é o direito de se ter uma idéia e poder expressá-la. É poder votar em quem quiser sem constrangimento. É processar um médico que cometa um erro. É devolver um produto estragado e receber o dinheiro de volta. É o direito de não ser discriminado por sua raça e cor, ou de praticar uma religião sem ser perseguido”.
Há detalhes que parecem insignificantes, mas revelam estágios de cidadania: respeitar os sinais de transito, não largar lixo na rua, não destruir as coisas públicas. Na prática, só determinadas parcelas da sociedade Brasileira alcançam os direitos de cidadania em sua plenitude, como o de receber serviços públicos de água encanada e tratada, rede de esgotos, luz elétrica, boa educação, bons salários, assistência médica, empregos, etc.
A cidadania não se limita a uma palavra, uma idéia, um discurso, nem está fora da vida da pessoa. Ela começa na relação do homem consigo mesmo para, a partir daí, expandir-se até o outro, ampliando-se para o contexto social no qual este homem está inserido. É uma nova forma de ver, ordenar e construir o mundo, tendo como princípios básicos os direitos humanos, a responsabilidade pessoal e o compromisso social na realização do destino coletivo.
Dentre os diferentes temas relacionados a esta questão, destaca-se a violência, que aparece não apenas sob a forma de agressão física, mas, também, como privação de direitos, desqualificação social, transformação do indivíduo em objeto, ignorância, miséria e desemprego.
Dentre os diferentes temas relacionados a esta questão, destaca-se a violência, que aparece não apenas sob a forma de agressão física, mas, também, como privação de direitos, desqualificação social, transformação do indivíduo em objeto, ignorância, miséria e desemprego.
A cidadania, no trabalho com o grupo, se constrói pelo reconhecimento e respeito às diferenças individuais, pelo combate aos preconceitos, as discriminações (econômica, política, sexual, cultural, etc.) e aos privilégios, pela participação no processo grupal, pela ampliação da consciência em relação aos direitos e deveres e pela confiança no potencial de transformação de cada um.
Segue alguns pontos essenciais a serem observados na temática da cidadania:
Acreditar que cada pessoa é agente de transformação da própria vida e do mundo em que vive;
Acreditar que cada pessoa é agente de transformação da própria vida e do mundo em que vive;
Acreditar que todas as pessoas são iguais, independentemente de raça, credo, nacionalidade ou status social, em relação aos direitos da existência – sobrevivência, saúde, educação, cultura, esporte e lazer, trabalho, convivência familiar e comunitária, respeito, dignidade e liberdade – e diferentes no exercício dessa mesma existência;
Acreditar que a cidadania é conquistada através da participação coletiva e solidária no processo social, político e econômico, não sendo fruto de uma concessão ou de uma dádiva;
Acreditar que a construção da cidadania percorre necessariamente um caminho. Inicia-se com a formação da identidade e da auto-estima, passa pelo conjunto de aprendizagens básicas para a convivência e se efetiva na solidariedade e na participação social;
Acreditar que o jovem é fonte de iniciativa (ações), liberdade (opções) e compromisso (responsabilidade, ativo construtor de um destino coletivo.
Acreditar que o adolescente deve identificar e incorporar valores positivos pelo curso dos acontecimentos e não pelo discurso das palavras. Deve, portanto, não apenas estudar, mas, principalmente, vivenciar cidadania, democracia e solidariedade;
Acreditar na importância do envolvimento dos adolescentes nas decisões que tenham impacto sobre suas vidas.
Acreditar na importância do envolvimento dos adolescentes nas decisões que tenham impacto sobre suas vidas.
“Ser cidadão significa estar na vida e no mundo, sentindo-se parte integrante do gênero humano, peça singular no quebra cabeça da história, participante ativo do esforço de mudança da sua realidade social, deixando por onde passa sua marca. É mais que sobreviver, é mais que viver com prazer, é gozar da existência”.
Referências Bibliográficas
OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Filosofia e Sociologia – Série Novo Ensino Médio. Editora Ática. São Paulo, 2008.
SERRÃO, Margarida; BALEEIRO, Maria Clarice. Aprendendo a ser e a conviver. 2. Ed. São Paulo: FTD, 1999.