Resumo
sobre as principais teorias de Max Weber
A Objetividade do
Conhecimento
Como
é possível, apesar da existência dos valores, alcançar a objetividade nas
ciências sociais?
É
preciso distinguir entre os julgamentos de valor e o saber empírico. Os valores
devem ser incorporados a conscientemente à pesquisa e controlados através de
procedimentos rigorosos de análise, caracterizados como esquemas de explicação
condicional.
Os Tipos Ideais
Um
conceito típico-ideal é um modelo simplificado do real, elaborado com base em
traços considerados essenciais para a determinação da causalidade, segundo os
critérios de quem pretende explicar um fenômeno.
O
tipo ideal é utilizado como instrumento para conduzir o autor numa realidade
complexa.
Ação Social
Toda
conduta humana dotada de um significado subjetivo (sentido) dado por quem a
executa e que orienta essa ação.
A
explicação sociológica busca compreender e interpretar o sentido da ação
social, não se propondo a julgar a validez de tais atos nem a compreender o
agente enquanto pessoa. Compreender uma ação é captar e interpretar sua conexão
de sentido, somente a ação com sentido pode ser compreendida pela Sociologia.
Em suma: ação compreensível e ação com sentido.
Tipos puros de ação:
Ação
racional com relação a fins: ação que visa atingir um objetivo previamente
definido, ele lança mão dos meios necessários ou adequados, ambos avaliados e
combinados tão claramente quanto possível de seu próprio ponto de vista. Uma
ação econômica, por exemplo, expressam essa tendência e permitem uma
interpretação racional.
Ação tradicional: quando hábitos e
costumes arraigados levam a que se aja em função deles. Tal é o caso do batismo
dos filhos realizado por pais pouco comprometidos com a religião.
Ação afetiva: quando a ação é
orientada por suas emoções imediata, como por exemplo, o ciúme, a raiva ou por
diversas outras paixões. Esse tipo de ação pode ter resultados não pretendidos,
por exemplo, magoar a quem se ama.
Relação Social
Uma
conduta plural (de vários), reciprocamente orientada, dotada de conteúdo
significativos que descansam na probabilidade de que se agirá socialmente de um
certo modo, constitui o que Weber denomina de relação social. Podemos dizer que
relação social é a probabilidade de que uma forma determinada de conduta social
tenha, em algum momento, seu sentido partilhado pelos diversos agentes numa
sociedade qualquer.
Quando,
ao agir, cada um de dois ou mais indivíduos orienta sua conduta levando em
conta a probabilidade de que o outro ou os outros agirão socialmente de um modo
que corresponde às expectativas do primeiro agente, estamos diante de uma
relação social. Como exemplo de relação social, as trocas comerciais, a
concorrência econômica, as relações políticas.
Estratificação Social
A
concepção de sociedade construída por Weber implica numa separação de esferas –
como a econômica, a religiosa, a política, a jurídica, a social, a cultural –
cada uma delas com lógicas particulares de funcionamento.
Partindo,
portanto, do princípio geral de que só as consciências individuais são capazes
de dar sentido à ação social e que tal sentido pode ser partilhado por uma
multiplicidade de indivíduos, Weber estabeleceu conceitos referentes ao plano
coletivo – a) classes, b) estamentos ou grupos de status e c) partidos – que
nos permitem entender os mecanismos diferenciados de distribuição de poder, o
qual pode assumir a forma de riqueza, de distinção ou do próprio poder
político, num sentido estrito.
As
classes se organizam segundo as relações de produção e aquisição de bens; os
estamentos, segundo princípios de seu consumo de bens nas diversas formas
especificas de sua maneira de viver; as castas seriam, por fim, aqueles grupos
de status fechados cujos privilégios e distinções estão desigualmente
garantidos por meio de leis, convenções e rituais.
Enfim,
as diferenças que correspondem, no interior da ordem econômica, às classes e,
no da ordem social ou da distribuição da honra, aos estamentos, geram na esfera
do poder social os partidos, cuja ação é tipicamente racional: buscar influir
sobre a direção que toma uma associação ou uma comunidade. O partido é uma
organização que luta especificamente pelo domínio embora só adquira caráter
político se puder lançar mão da coação física ou de sua ameaça.
Poder e Dominação
O
conceito de poder é amorfo já que significa a probabilidade de impor a própria
vontade dentro de uma relação social, mesmo contra toda a resistência e
qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade.
Dominação
é a probabilidade de encontrar obediência dentro de um grupo a um certo
mandato.
Poder
+ Legitimidade = Dominação.
Tipos Puros de
Dominação Legítima
Dominação Legal: obedece-se não à
pessoa em virtude de seu direito próprio, mas à regra estatuída, que estabelece
ao mesmo tempo a quem e em que medida deve obedecer. Seu tipo mais puro é a
burocracia.
Dominação
Tradicional: se
estabelece em virtude da crença ma santidade das ordenações e dos poderes
senhoriais de há muito existentes. Seu tipo mais puro é o da dominação
patriarcal.
Dominação
Carismática: se
dá em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e a seus dotes
sobrenaturais (carisma) e, particularmente: a faculdades mágicas, revelações ou
heroísmo, poder intelectual ou de oratória. Seu tipo mais puro é a dominação do
profeta, do herói guerreiro e do grande demagogo.
Desencantamento do
mundo
A
humanidade partiu de um universo habitado pelo sagrado, pelo mágico,
excepcional e chegou a um mundo racionalizado, material, manipulado pela
técnica e pela ciência. O mundo de deuses e mitos foi despovoado, sua magia
substituída pelo conhecimento cientifico e pelo desenvolvimento de formas de
organização racionais e burocratizadas.
Ética Protestante e
Espírito do Capitalismo
O
trabalho torna-se um valor em si mesmo, e o operário ou capitalista puritanos
passam a viver em função de sua atividade ou negócio e só assim têm a sensação
da tarefa cumprida. O puritanismo condenava o ócio, o luxo, a perda de tempo,
preguiça.
Para
estarem seguros quanto à sua salvação, ricos e pobres deveriam trabalhar sem
descanso, o dia todo em favor do que lhes foi destinado pela vontade de Deus, e
glorifica-lo por meio de suas atividades produtivas.
A
essa dedicação verdadeiramente religiosa ao trabalho, Weber chamou de vocação.
Essa ética teve consequências marcantes sobre a vida econômica e, ao combinar a
restrição do consumo com essa liberação da procura da riqueza, é obvio o
resultado que daí decorre: a acumulação capitalista através da compulsão
ascética da poupança. Mas este foi apenas um impulso inicial. A partir dele o
capitalismo libertou-se do abrigo de um espírito religioso.
Estado
O
Estado é um instrumento de dominação do homem pelo homem, para ele só o Estado
pode fazer uso da força da violência, e essa violência é legítima (monopólio do
uso legítimo da força física), pois se apoia num conjunto de normas
(constituição).
QUESTÕES
01_
O que é o tipo ideal para Weber?
02_
Explique o significado da frase: “Ação compreensível e ação com sentido”,
dentro da perspectiva do conceito de ação social.
03_
Quais são os tipos puros de ação social segundo Weber?
04_
Conceitue relação social, de acordo com o texto.
05_
Como Weber explica a estratificação social?
06_
São três os tipos puros de dominação legítima segundo Max Weber. Conceitue e
exemplifique cada um deles.
07_
Como podemos explicar o desencantamento do mundo levando em consideração a
História Mundial, basicamente após a Idade Moderna?
08_
Estabeleça uma relação entre a ética protestante, analisada por Weber, e o
desenvolvimento do capitalismo após a Reforma Protestante.
09_
Justifique a razão pela qual o Estado pode ser considerado um instrumento de
dominação.