Texto complementar ao Capítulo 05_ Fundamentos econômicos da sociedade na disciplina de Sociologia para os 2º anos do Ensino Médio _ Matutino
* Ao aluno que responder aqui no Blog à questão proposta, será atribuído 1,0 (Extra) à média do 4º Bimestre.
* Para as turmas 2º A, B, C, e D.
* Data limite para postagem de comentários: 31/10/2011.
Os índios de Roraima
Os Yanomami são a tribo mais numerosa entre os indígenas brasileiros, e os de cultura mais preservada. De acordo com a Funai, devem ser cerca de 9 000 no Brasil e outros tantos na Venezuela, pois vivem nas terras fronteiriças dos dois países.
A língua Yanomami comporta alguns subgrupos, que definem diferentes áreas de seu território. As variações lingüísticas e as distâncias dialetais autorizam os antropólogos a supor que os Yanomami ocuparam a mesma área por cerca de 3 000 anos.
Tratava-se do maior congresso de tuxauas (caciques) de toda a história daqueles índios. Havia ainda dois tuxauas Macuxis que lá estavam como observadores, mas também para contar a longa experiência do seu doloroso contato com os brancos. No começo, as amabilidades e os pequenos presentes, em seguida, a contaminação com as doenças comuns entre os brancos e mortais para os índios. No final, a expulsão dos índios de suas terras.
No Conselho dos tuxauas todos discursaram longamente. Falaram de seu infortúnio na convivência com o branco e da necessidade de eliminar as querelas internas, para uma união guerreira contra as invasões. Os discursos eram semelhantes. "Comem nosso queixada, nosso mutum, nosso sapo e nossa cobra, envenenam as águas, derrubam a mata e deixam o sarampo, a catapora e a coqueluche, que dizimam adultos e crianças.
Na manhã seguinte saíram alguns caçadores e voltaram umas três horas depois com quinze queixadas, quase todos mortos com uma única, certeira e mortal f1echada. Hábeis açougueiros, em pouco tempo limparam e esquartejaram os animais. Uma parte começou a ser assada, e o restante moqueado para ser comido no curso da semana.
Carbonizada na superfície, a carne conserva-se por mais de dez dias.
À tarde, seguimos a pé para a aldeia Watoriktheri, que quer dizer Serra dos Ventos. Uns 8 quilômetros difíceis para nós e facílimos para toda a tribo, onde as mulheres andavam alegres, carregando pesada carga de porco moqueada e bananas, além das crianças.
Chegamos à aldeia junto com a noite. Aí o espanto com a comovente beleza da mal oca. Uma enorme construção de madeira, bambu e palha. Redonda como uma bacia emborcada e sem fundo. Mais de 50 metros de diâmetro. Toda a volta coberta em torno do círculo central (com 25 metros de diâmetro), em cuja borda o telhado alcançava 10 metros de altura, com as águas vertentes para o limite redondo da maloca.
As famílias distribuíram-se pelo círculo junto às paredes de palha. Armaram, redes rústicas e acenderam pequenas fogueiras que foram realimentadas a noite inteira. Seguiram-se cantos e danças, que saudaram hospitaleiramente os visitantes.
Os Yanomami vivem da caça, da pesca, de frutas silvestres e de uma agricultura rudimentar. Cultivam mandioca, banana, tabaco. Não fumam: enrolam as folhas na forma de um cilindro de 5 centímetros de comprimento e de diâmetro, e o encaixam entre o lábio e os dentes do maxilar inferior.
Relatos anteriores já deram conta da importância da banana na dieta e na cultura dos Yanomami. Nas malocas há sempre um grande e pesado tronco, escavado na forma de uma canoa, onde nas ocasiões festivas são esmagados em águas centenas de cachos. A beberagem é ingerida em cuias, num processo compulsivo. Chegam ao vômito e voltam a comer o mingau amarelo.
Para nós que vivemos no mundo marcado pelos antagonismos, pela degradação da natureza e pela violência dos conflitos sociais, é estimulante a reflexão sobre uma sociedade sem classes e que vive em harmonia com a natureza. No posto Demini e na maloca -Watoriktheri -, observamos o comportamento de cerca de trinta crianças com menos de 6 anos. Não foi possível assistir a uma única briga, ou a um singular choro infantil, como esses que ocorrem dez vezes ao dia nas famílias brasileiras. São brincalhões e alegres. O folguedo preferido é o de atirar pedras com certeira pontaria.
A agricultura, a cerâmica, a cestaria e os diferentes utensílios são tão primitivos que mostram os Yanomami num tempo muito distante daquele que os historiadores chamam de "revolução agrícola do Neolítico Superior". Esta foi a grande inflexão da História, o abalo sísmico que mudou o destino da raça humana, singelamente resultou de que o homem começou a produzir mais do que precisava. Aí surgiram as questões da divisão do trabalho e de quem se apropria do excedente. A comida guarda proporção com a fome. Mas o critério de referência para a formação do excedente passou a ser o seu próprio crescimento, mesmo à custa da fome. Esse foi o marco inicial daquilo que chamamos de "civilização", ou melhor, da história da servidão humana ...
(Adaptado de GOMES, Severo, Folha de São Paulo)
Pense e explique
1_ Qual é o modo de produção característico dos Yanomami mostrado pelo texto? Explique sua resposta.
2_ Quais as consequências da expansão do modo de produção capitalista sobre os povos indígenas brasileiros mencionadas no texto?