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30 de abril de 2011

COMUNIDADE, SOCIEDADE, CIDADANIA

COMUNIDADE, SOCIEDADE, CIDADANIA

Comunidade: Grupo ou conjunto de grupos sociais que ocupam uma área relativamente pequena, geograficamente delimitada, cujos membros estão ligados entre si por laços de sangue e mantêm a mesma herança cultural e histórica.

Sociedade: Coletividade organizada e estável de pessoas que ocupam o mesmo território, falam a mesma língua, compartilham a mesma cultura, são geridas por instituições políticas e sociais aceitas de forma consensual e desenvolvem atividades produtivas e culturais voltadas para a manutenção da estrutura que sustenta o todo social.

COMUNIDADE E SOCIEDADE

Para o sociólogo alemão Ferdinand Tönnies, a comunidade é definida pelo ato de “viver junto, de modo íntimo, privado e exclusivo”, como na família, nos grupos de parentescos, na vizinhança e na aldeia camponesa. Já sociedade é definida como “vida pública”, como uma associação na qual se ingressa consciente e deliberadamente. Nas comunidades, os indivíduos estão envolvidos como pessoas completas, que podem satisfazer todos os seus objetivos no grupo. Nas sociedades, os indivíduos também se encontram envolvidos entre si; mas a busca da realização de certos fins é específica e parcial. Uma comunidade é unida por um acordo de sentimentos ou emoções entre pessoas, ao passo que a sociedade é unida por um acordo racional de interesses, ou seja, por regras ou convenções racionalmente estabelecidas. Assim, a comunidade é um tipo de agrupamento humano no qual se observa um elevado grau de intimidade e coesão entre seus membros. Nela predominam os contatos sociais primários e a família tem um papel especial.
A sociedade, em contrapartida, é formada por um conjunto de leis e regulamentos racionalmente elaborados. É o que acontece, por exemplo, nas grandes sociedades urbanas industriais. Ali, as relações sociais tendem a ser formalizadas e impessoais; os indivíduos não mais dependem uns dos outros para seu sustento e estão muito menos comprometidos moralmente entre si.
Portanto, a expressão sociedade designa agrupamentos humanos que se caracterizam pelo predomínio de contatos sociais secundários e impessoais, próprios para sociedade industrial, em que há uma complexa divisão do trabalho e o estado é sustentado por forte aparado burocrático.

CIDADANIA

Segundo o sociólogo Herbert de Souza (Betinho), “cidadão é um indivíduo que tem consciência dos seus direitos e deveres e participa ativamente de todas as questões da sociedade. Tudo o que acontece no mundo, acontece comigo. Então eu preciso participar das decisões que interferem na minha vida. Um cidadão com sentimento ético forte e consciente da cidadania não deixa passar nada, não abre mão desse poder de participação (...). A idéia de cidadania ativa é ser alguém que cobra, propõe e pressiona o tempo todo. O cidadão precisa ter consciência do seu poder”.
Aprender a ser cidadão e cidadã é, entre outras coisas, aprender a agir com respeito, solidariedade, responsabilidade, justiça, não-violência; aprender a usar o diálogo, nas mais diferentes situações e comprometer-se com o que acontece na vida coletiva da comunidade e do País. Esses valores e essas atitudes precisam ser aprendidos e desenvolvidos pelos estudantes e, portanto, podem e devem ser ensinados na escola.
Cidadania são os direitos e deveres do cidadão. Ela pode ou não ser exercida, mas, ao contrário da Ética, que só existe quando o próprio indivíduo a reconhece e a impõe a si, a cidadania é concedida à pessoa quando o grupo (o país onde ele mora, por exemplo) o reconhece como cidadão. Ninguém nasce cidadão, mas torna-se cidadão pela educação. Cidadania é, nesse sentido, um processo que começou nos primórdios da humanidade e que se efetiva através do conhecimento e conquista dos direitos humanos, não como algo pronto, acabado; mas, como aquilo que se constrói.
Se todos os seres humanos tornarem-se conscientes de que são cidadãos do universo capazes de tratar com respeito à natureza e seus semelhantes, certamente teremos em nosso planeta não apenas um ambiente saudável e equilibrado, mas também um ambiente ético, livre da violência e de outros comportamentos doentios de algumas pessoas.
Embora a palavra cidadania possa ter vários sentidos, atualmente sua essência é única: Significa o direito de viver com dignidade e em liberdade. Segundo o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, “é o direito de se ter uma idéia e poder expressá-la. É poder votar em quem quiser sem constrangimento. É processar um médico que cometa um erro. É devolver um produto estragado e receber o dinheiro de volta. É o direito de não ser discriminado por sua raça e cor, ou de praticar uma religião sem ser perseguido”.
Há detalhes que parecem insignificantes, mas revelam estágios de cidadania: respeitar os sinais de transito, não largar lixo na rua, não destruir as coisas públicas. Na prática, só determinadas parcelas da sociedade Brasileira alcançam os direitos de cidadania em sua plenitude, como o de receber serviços públicos de água encanada e tratada, rede de esgotos, luz elétrica, boa educação, bons salários, assistência médica, empregos, etc.
A cidadania não se limita a uma palavra, uma idéia, um discurso, nem está fora da vida da pessoa. Ela começa na relação do homem consigo mesmo para, a partir daí, expandir-se até o outro, ampliando-se para o contexto social no qual este homem está inserido. É uma nova forma de ver, ordenar e construir o mundo, tendo como princípios básicos os direitos humanos, a responsabilidade pessoal e o compromisso social na realização do destino coletivo.
Dentre os diferentes temas relacionados a esta questão, destaca-se a violência, que aparece não apenas sob a forma de agressão física, mas, também, como privação de direitos, desqualificação social, transformação do indivíduo em objeto, ignorância, miséria e desemprego.
A cidadania, no trabalho com o grupo, se constrói pelo reconhecimento e respeito às diferenças individuais, pelo combate aos preconceitos, as discriminações (econômica, política, sexual, cultural, etc.) e aos privilégios, pela participação no processo grupal, pela ampliação da consciência em relação aos direitos e deveres e pela confiança no potencial de transformação de cada um.
Segue alguns pontos essenciais a serem observados na temática da cidadania:
Acreditar que cada pessoa é agente de transformação da própria vida e do mundo em que vive;
Acreditar que todas as pessoas são iguais, independentemente de raça, credo, nacionalidade ou status social, em relação aos direitos da existência – sobrevivência, saúde, educação, cultura, esporte e lazer, trabalho, convivência familiar e comunitária, respeito, dignidade e liberdade – e diferentes no exercício dessa mesma existência;
Acreditar que a cidadania é conquistada através da participação coletiva e solidária no processo social, político e econômico, não sendo fruto de uma concessão ou de uma dádiva;
Acreditar que a construção da cidadania percorre necessariamente um caminho. Inicia-se com a formação da identidade e da auto-estima, passa pelo conjunto de aprendizagens básicas para a convivência e se efetiva na solidariedade e na participação social;
Acreditar que o jovem é fonte de iniciativa (ações), liberdade (opções) e compromisso (responsabilidade, ativo construtor de um destino coletivo.
Acreditar que o adolescente deve identificar e incorporar valores positivos pelo curso dos acontecimentos e não pelo discurso das palavras. Deve, portanto, não apenas estudar, mas, principalmente, vivenciar cidadania, democracia e solidariedade;
Acreditar na importância do envolvimento dos adolescentes nas decisões que tenham impacto sobre suas vidas.
“Ser cidadão significa estar na vida e no mundo, sentindo-se parte integrante do gênero humano, peça singular no quebra cabeça da história, participante ativo do esforço de mudança da sua realidade social, deixando por onde passa sua marca. É mais que sobreviver, é mais que viver com prazer, é gozar da existência”.

Referências Bibliográficas

OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Filosofia e Sociologia – Série Novo Ensino Médio. Editora Ática. São Paulo, 2008.
SERRÃO, Margarida; BALEEIRO, Maria Clarice. Aprendendo a ser e a conviver. 2. Ed. São Paulo: FTD, 1999.

As instituições sociais

Aula sobre "As Instituições sociais" em Sociologia, para os 3º anos do Ensino Médio.
http://www.authorstream.com/Presentation/arianemarzzio-988475-as-institui-es-sociais/

Filosofia Moderna

Aula de Filosofia Moderna para os 2º anos do Ensino Médio.
http://www.authorstream.com/Presentation/arianemarzzio-988507-filosofia-moderna/

As faces da violência

Aula de Filosofia para os 1º anos do Ensino Médio. As faces da violência_ Ana Mª Bock.
http://www.authorstream.com/Presentation/arianemarzzio-988473-as-faces-da-viol-ncia/

A Existência Ética

Aula de Filosofia em PPT sobre o Cap. 09 A Existência Ética da autora Marilena Chauí.
Para o pessoal dos 3º anos matutino.
http://www.authorstream.com/Presentation/arianemarzzio-988465-a-exist-ncia-tica/

10 de abril de 2011

Nenhuma escola é ilha

 Compartilho com vcs uma das análises mais lúcidas que li sobre o caso da escola carioca.



por Ana Flávia C. Ramos, em Tabnarede

Tragédias como a ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, sempre provocam grande comoção pública, indignação e, obviamente, tristeza pelas muitas crianças perdidas no atentado. Além desses sentimentos, tais fatos provocam também um grande tsunami de “especialistas”, mobilizados em velocidade estonteante pela mídia, para dar laudos e explicações quase matemáticas sobre as motivações do assassino. O atirador Wellington Menezes de Oliveira, segundo as informações desses “cientistas da tragédia” (que variam de “criminólogos” a policiais militares), era tímido, solitário, filho adotivo, “usuário” constante do computador (a “droga” dos tempos modernos segundo os “analistas”), ateu, islâmico, fanático, fundamentalista, portador do vírus da AIDS e, provavelmente, vítima de bullying na escola.
Certamente não há como contestar que todo ato humano, e por isso histórico, se explica a partir da análise de uma cadeia de relações complexas. Como digo aos alunos, nada tem resposta simples e direta. Entretanto, o tipo de questão levantada para entender o terrível ato de Wellington Menezes de Oliveira diz muito mais sobre nós mesmos do que sobre ele. Todos os nossos preconceitos estão embutidos nessas respostas. De fato, não sabemos, e talvez nunca saibamos, por que exatamente ele atirou contra cada uma das crianças (em sua maioria meninas), assim como não sabemos sobre as reais motivações dos muitos atentados como esse, ocorridos em países como Estados Unidos e Dinamarca. Mesmo depois de tudo o que se discutiu, ainda é difícil, por exemplo, explicar Columbine (abril de 1999).
Uma das coisas que mais tem me chamado a atenção é a recorrência da explicação que elege o bullying escolar como um dos fatores que podem desencadear esse tipo de ato violento. A explicação não é nova, Columbine é prova disso. Há mais de dez anos atrás, dois meninos entram em uma escola, de capa preta (quase como em um filme hollywoodiano) e atiram em seus colegas. “Especialistas”, gringos agora, se apressam em dizer as razões: divórcio nas famílias, videogames, filmes violentos, Marilyn Manson, porte de armas facilitado e, como não poderia faltar, bullying na escola.
É inegável que o bullying é uma realidade. É indiscutível que ele é extremamente nocivo e doloroso aos alunos que sofrem com ele. É evidente que há urgência em iniciar um debate para saber como sanar o problema. Mas a pergunta que fica é: o que de fato é o bullying? Ele é um sinal (histórico) de que? E ainda mais: ele é um problema restrito à escola? Por que os alunos são tão cruéis com seus colegas?
Michael Moore, cineasta norte-americano explosivo, tentou dar a sua interpretação para o atentado de Columbine com o documentário Bowling for Columbine (2002).  Moore, ao invés de repetir os clichês da mídia, foi implacável na destruição do senso comum das justificativas moralistas para o evento. Item por item, desde a desagregação da família, Manson, até a polêmica questão do porte de armas foram desconstruídos em sua narrativa. O foco centrou-se em respostas muito mais interessantes, localizadas não nos dois jovens assassinos, mas na sociedade americana. O imperialismo militarista dos Estados Unidos, a ação violenta em outros países, a política do medo (incentivada pelo Estado e pela grande mídia), que reforça e superestima dados sobre a violência urbana, sobre o fim de mundo, e, principalmente, a intolerância com todo tipo de diferença. Racismo, preconceito, homofobia, conflitos religiosos e luta de classes são só alguns dos ingredientes do caldeirão de ódios em que se transformou a sociedade americana.
Como crescer no Colorado, na “livre” América, e não ser conspurcado por esses valores? Como não idolatrar armas e achar que elas são um meio prático de solucionar problemas? Como viver imune a uma sociedade individualista, capitalista, que divide os seus cidadãos o tempo todo em “winners” e “losers”? E mais ainda, como não se deixar levar por uma sociedade que até hoje não consegue lidar com a diferença entre brancos e negros? Uma sociedade que até os anos 1960 não oferecia direitos, oportunidades e tratamentos iguais a todos os seus cidadãos, tem o que para oferecer ao pensamento dos estudantes? Os americanos, ainda hoje, estão preparados para o respeito à diferença? A relação que eles mantêm com os muçulmanos diz muito. Definitivamente a liberdade e o respeito ainda não se transformaram em uma unanimidade por lá.
É claro que mesmo Moore não chega a dar respostas definitivas sobre a questão. E mais ainda: é evidente que ele considera a forma pela qual a instituição ESCOLA trata seus alunos (hierarquias e classificações hostis), ignorando muitas vezes o bullying, tem sua responsabilidade no massacre. Assim como é nítido que a venda facilitada de armas e munição são coadjuvantes importantes da história. Mas Moore foi corajoso ao lançar em cada um dos americanos a responsabilidade da tragédia e discutir aquilo que ninguém teve coragem (ou má fé) de fazer. Nem a mídia, nem o governo, nem a sociedade. É preciso encarar os “monstros”, com franqueza, e não apenas “satanizar” o ambiente escolar, para dar algum significado para esses eventos.
Ontem no Terra Magazine o antropólogo Roberto Albergaria afirmou que a mídia e a sociedade brasileira desejavam o impossível: explicações para um “desvario sem significado”. Segundo ele, o que Wellington Menezes praticou foi o que os estudos franceses chamam de “violência pós-moderna”, caracterizada por uma ruptura irracional, sem explicação. De fato, talvez tenha sido um “ato irracional”, fruto de um momento de insanidade. Mas acredito que esse tipo de resposta não nos ajuda a resolver coisas importantes sobre nós mesmos. A tragédia no Realengo, a meu ver, pode e deve ser início de um debate importante sobre a nossa sociedade.
A tragédia na escola do Rio de Janeiro acontece num contexto bastante relevante. Em outubro de 2009, Geyse Arruda foi hostilizada por seus colegas de faculdade porque, segundo eles, ela não sabia se vestir de modo “apropriado” para freqüentar as aulas. Em junho de 2010, Bruno, goleiro do Flamengo, é suspeito de matar a ex-namorada, Elisa Samudio, por não querer pagar pensão ao filho. Suposta garota de programa, Samudio foi hostilizada na opinião de muitos brasileiros. Após rompimento, Mizael Bispo, inconformado, mata sua ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010. Em novembro de 2010, grupos de jovens agridem homossexuais na Avenida Paulista, enquanto Mayara Petruso incita o assassinato de nordestinos pelo Twitter. E mais recentemente, em cadeia nacional, Jair Bolsonaro faz discurso de ódio contra homossexuais e negros. Tudo isso instigado e complementado pelo discurso intolerante, preconceituoso, conservador e mentiroso do candidato José Serra à presidência da República. A mídia? Estava ao lado de Serra, corroborando em suas artimanhas, reforçando preconceitos contra Dilma, contra as mulheres e contra os tantos mais “adversários” do candidato tucano.
Wellington matou mais meninas na escola carioca. Se, por um lado, jamais saberemos as reais razões que o fizeram agir dessa forma, por outro sabemos o quanto a sociedade brasileira tem sido, no mínimo, indulgente com atos de intolerância, machismo, ódio e preconceito contra mulheres, negros e homossexuais. Se não há uma ligação direta entre esses diversos acontecimentos, eles pelo menos nos fazem pensar o quanto vale a vida de alguém em um contexto de tantos ódios? Quantas mulheres morrerão hoje vítimas do machismo? Quantos gays sofreram violência física? Quantos negros sentirão declaradamente o ódio racial que impregna o nosso país? O que é o bullying se não o prolongamento para a escola desse tipo de mentalidade? Quantas pessoas apoiaram as declarações de ódio de Bolsonaro via Facebook? Aquilo que acontece no ambiente escolar nada mais é do que um microcosmo do que a sociedade elege como valores primordiais. E o Brasil, que por tanto tempo negou a “pecha” de racista e preconceituoso, vê sua máscara cair.
Não adianta culpar o bullying, achando que ele é um problema de jovens, um problema das escolas. Não adiante grades e detectores de metal nas entradas ou a proibição da venda de armas. Como professora, sei que o que os alunos reproduzem em sala nada mais é do que ouviram da boca de seus pais ou na mídia. Não adianta pedir paz e tolerância no colégio enquanto a mídia e a sociedade fazem outra coisa. Na escola, o problema do bullying é tratado como algo independente da realidade política, econômica e social do país. Mas dá pra separar tudo isso? Dá pra colocar a questão só em “valores” dos adolescentes, da influência do malvado do computador ou dos videogames? Ou é suficiente chamar o ato de Wellington de uma “violência pós-moderna” sem explicação? Das muitas agressões cotidianas, a da escola do Realengo é apenas uma demonstração da potencialidade de nossos ódios. A única coisa que me pergunto é: teremos a coragem de fazer esse tipo de discussão?
Ana Flávia C. Ramos é professora, historiadora pela Unicamp

7 de abril de 2011

Revisão para a Avaliação de Filosofia_ 3ª série do Ensino Médio

01_ O romantismo foi um movimento cultural que se iniciou no final do século XVII e predominou durante a primeira metade do século XIX, envolvendo a arte e a filosofia. Quais são as principais características do romantismo?


02_ A conformação atual da bandeira do Brasil é um reflexo da influência do positivismo de Augusto Comte na política nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista “Ordem e Progresso”, surgida a partir da divisa comteana “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por meta”, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista. De que maneira podemos dizer que o positivismo de Augusto Comte influenciou a política brasileira nos primeiros anos da República Velha?


03_ (UFPB 2009) (Adaptado) Leia o texto abaixo:
“[...] o primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a História, é que os homens devem estar em condições de viver para poder ‘fazer história’. Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter habitação, vestir-se e algumas coisas mais. O primeiro ato histórico é, portanto, a produção dos meios que permitam a satisfação destas necessidades, a produção da própria vida material, e de fato este é um ato histórico, uma condição fundamental de toda história, que ainda hoje, como há milhares de anos, deve ser cumprido todos os dias e todas as horas, simplesmente para manter os homens vivos.” MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 39.

As análises históricas de Marx (1818-1883), pensador alemão, exerceram e ainda exercem grande influência nas ciências humanas e sociais, entre elas, a História. Sobre a concepção marxista de História, assinale as alternativas verdadeiras.

a)            A concepção da luta de classes como motor da História foi atribuída indevidamente ao marxismo, para o qual as transformações históricas decorrem apenas das ações dos indivíduos.
b)            O marxismo defende, teoricamente, uma postura neutra do historiador diante da sociedade e do conhecimento produzido sobre a mesma e, assim, nega validade prática a sua própria concepção.
c)            As sociedades, para Marx, não podem ser compreendidas sem um estudo pormenorizado de sua base econômica, e esse entendimento significa a análise da sua organização material para a produção da sobrevivência humana.
d)            Os marxistas são ardorosos defensores do fim da história, pois essa tese representa a culminância do desenvolvimento humano, com a glorificação da sociedade de mercado e da democracia liberal.
e)            A História, para Marx, é feita por todos, principalmente os trabalhadores, e essa concepção rompia com a idéia, bastante comum no século XIX, de uma História feita apenas pelos “grandes homens”.

04_ Na teoria de Karl Marx (1818-1883), o capitalismo tem como base a exploração da mão de obra do proletário, que para sobreviver vende a única mercadoria que possui que é a sua capacidade de trabalhar. De acordo com a teoria de Marx explique os conceitos de:
a)       Mais-valia;
b)       Modo de produção;
c)       Relações de produção.

05_ Na teoria marxista, Karl Marx, afirma que a história da humanidade tem sido a história da exploração do homem sobre o homem. Por esse motivo, segundo ele, caberia à classe trabalhadora (proletariado) transformar, por meio da revolução, o modo de produção vigente à sua época. De que forma a luta de classes poderia resolver essa questão?


06_ “A partir da segunda metade do século XX, inicia-se uma nova fase de processos tecnológicos, decorrentes de uma integração física entre ciência e produção, denominada Terceira Revolução Industrial ou revolução tecnocientífica. Como resultado, temos a aplicação quase imediata das descobertas científicas no processo produtivo. Esse fato proporcionou a ascensão das atividades que empregam alta tecnologia em sua produção. Como exemplos da Terceira Revolução Industrial temos: a informática, que produz computadores, e softwares; a microeletrônica, que fabrica chips, transistores e produtos eletrônicos; a robótica, que cria robôs para uso industrial; as telecomunicações, que viabilizam as transmissões de rádio e televisão, telefonia fixa e móvel e a Internet; a indústria aeroespacial, que fabrica satélites artificiais e aviões; e a biotecnologia, que produz medicamentos, plantas e animais manipulados geneticamente.”
Disponível em: SCHEIN, Pedro.Terceira Revolução Industrial.
http://www.coladaweb.com/historia/terceira-revolucao-industrial. Acesso em: 07/04/2011.

Considerando os avanços tecnológicos alcançados pelas sociedades contemporâneas, principalmente após a III Revolução Industrial, escolha uma área do conhecimento afetada por estas inovações e comente os benefícios e riscos dessa inovação.

21 de março de 2011

Santa Dica: encantamento do mundo ou coisa do povo.

Link para aula em PPT sobre Santa Dica, para o 9º ano do Ensino Fundamental.

http://www.authorstream.com/Presentation/arianemarzzio-904561-santa-dica/

Explicação científica das 10 pragas do Egito antigo

Texto complementar ao conteúdo da 1ª série do Ensino Médio _ Egito


Explicação científica das 10 pragas do Egito antigo

Autor: Edgard A. Cunha. Jr

                Não vou tentar aqui quebrar a fé de ninguém, pois não tenho intenção nenhuma disso, apenas demonstrarei a explicação cientifica, e, plausível, para as 10 pragas do Egito.
                Como sabemos a Bíblia foi escrita por profetas e quando Constantino oficializou a religião católica na Roma antiga, ele separou muitos livros e partes de livros, deixando apenas na obra livros que mostravam milagres divinos do Deus Jeová e no novo testamento apenas livros que mostrassem um Jesus santo e não o Homem que ele foi.
                Vamos voltar às 10 pragas:
1º praga: Por volta de 1400 a.C. as águas do Nilo viram sangue (nada que não tenha acontecido antes ou depois). Uma mudança climática repentina esquenta a água do Nilo e provoca a reprodução descontrolada de Pfiesteria, uma alga que provoca hemorragias nos peixes, matando-os e intoxicando as águas com sangue e dando a coloração nas águas do rio.
2º praga: Infestação de rãs - como sabemos peixes comem ovos de rãs, se não haviam peixes, aqueles ovos se transformariam em rãs e como o rio estava contaminado as rãs fugiam para a cidade e se daria numa infestação de rãs.
3º praga: Mosquitos (piolhos) atormentam homens e animais - Com a morte das rãs em terra surgiram diversos insetos entre eles mosquitos e piolhos.
4º praga: Moscas escurecem o ar e atacam os animais - Surge a mosca dos estábulos que ataca os animais.
5º praga: Uma peste atinge os animais - Os piolhos Maruim, com o vírus da língua azul mataram 70% do rebanho, essa é a mesma doença da peste eqüina africana.
6º praga: Pústulas cobrem homens e animais - O mormo, uma doença eqüina que também ataca o homem é transmitida pelas moscas do estábulo, provavelmente ela foi a peste que afetou os egípcios, já que provoca úlceras na pela, como descreve no êxodo.
7º praga: Fogo no céu - O calor intenso quando se combina com uma frente fria, pode causar chuvas de granizo, o que destruiria com certeza a plantação; e tempestades elétricas, o que daria a impressão de fogo no céu.
8º praga: Nuvem de gafanhotos - Após a tempestade vem a ventania, que poderia mudar o curso dos gafanhotos etíopes.
9º praga: Escuridão por três dias - Uma tempestade de areia, o que seria bem plausível devido ao clima que ficou, pode durar dias e com certeza encobre a luz do sol.
10º praga: A morte dos primogênitos - O cereal foi guardado num celeiro, devido às tempestades esses celeiros ficaram úmidos e certamente os cereais emboloraram, outro fator das tempestades, foi a escassez de comidas, já que a plantação foi destruída. Por tradição no Egito antigo, quando há falta de comida os primogênitos tem a preferência na alimentação, então certamente eles comeram os cereais embolorados primeiro e em bem mais quantidades o que resultou em suas mortes.

                Como vimos são apenas teorias, mas explicam bem essas pragas, não que isso seja verdade, mas porque dar tanto crédito ao êxodo se ele também foi escrito por um homem com pouquíssimo conhecimento cientifico.

Disponível em: http://pt.shvoong.com/humanities/1759611-explica%C3%A7%C3%A3o-cientifica-das-10-pragas/. Acesso em: 16/04/08.

20 de março de 2011

Aulas em PPT

Neste link você poderá baixar as aulas em PPT e revisar o conteúdo visto em sala.
Lá estão disponíveis todas as aulas ministradas em PPT a partir deste ano de 2011 nas disciplinas de História, Filosofia e Sociologia.
Divirta-se!

Aula sobre Filosofia Medieval

Aula para a 2ª série do Ensino Médio em Filosofia
http://www.authorstream.com/Presentation/arianemarzzio-902210-filosofia-na-idade-medieval/

Não penso, Não existo, Só assisto.

Só para refletir:
(Visto em uma rua da Lapa - RJ)

(...) O povo escolheu a Globo... isso é:
a) Globalização;
b) Falta de TV por assinatura.

13 de fevereiro de 2011

Viagem à Ouro Preto e Mariana- MG

Público Alvo: Alunos da 3ª série do Ensino Médio Matutino 
Professores responsáveis: Ariane Marzzio e Lúbia Lafaete
Professores acompanhantes: Sônia Cristina, Madalena, Edimário, Lívia, Mônica e Marcos Vinícius.

Viagem à Ouro Preto e Mariana- MG
de 14 a 17/09/11.

Previsão de gastos por pessoa
Ônibus (Ida e volta)
R$  120,00
Albergue
R$  102,00
Van
R$    10,00
Guia turístico
R$      5,00
Maria Fumaça
R$     11,00
Ônibus (Mariana/Ouro Preto)
R$       3,00
Entrada nos Museus e Mina
R$     31,00
Almoço em Mariana
R$     20,00
Alimentação e estadia dos motoristas
R$       5,00
Reserva de segurança
R$     23,00

Total

R$    330,00


Opção de Parcelamento: 6 x de R$ 55,00 (Março, Abril, Maio, Junho, Agosto e Setembro)

Informações adicionais:
Ônibus: Jurema Turismo; Executivo com Ar Condicionado, Água mineral, TV/ DVD, Banheiro.
Albergue- O Sorriso do Lagarto: Incluso hospedagem com 02 diárias e café da manhã dos 02 dias, almoço do dia 15/09 (churrasco e comida típica mineira) e jantar com rodízio de pizza (à vontade) dos dias 15 e 16/09; Wi-fi, Roupa de cama incluída; Mesa de jogos (dama e xadrez).  http://www.osorrisodolagarto.com.br/ouropreto/
Van: Do ônibus para o albergue/ centro e de volta para o ônibus.
Guia turístico: credenciado pelo Ministério do Turismo para acompanhar todo o roteiro nas duas cidades.
Maria Fumaça: Trajeto de 18 Km pela estrada de ferro entre as cidades de Ouro Preto e Mariana na manhã do dia 16/09 (já o valor da meia para estudantes).
Ônibus (Mariana / Ouro Preto): Tipo coletivo para retorno a Ouro Preto.
Entrada nos Museus e Mina:  Ouro Preto: Museu da Inconfidência, Casa dos Contos, Mina de Santa Rita, Museu de Arte Sacra (Igreja de Nossa Senhora do Pilar), Museu do Aleijadinho, Santuário Nossa Senhora da Conceição, Igreja São Francisco de Assis e Museu de Mineralogia. Mariana: Igreja São Francisco, Nossa Senhora do Carmo, Catedral da Sé, Museu de Arte Sacra.
Almoço em Mariana: Valor com refrigerante incluso.
Reserva de segurança: Para qualquer eventualidade ou imprevisto que possamos ter. No caso de não ser necessário seu uso, a verba será destinada para lanche ou jantar no retorno.

Obs.: O lanche durante a viagem será por conta do aluno.


Horários



Ida
Saída da porta do colégio: 12h do dia 14/09 (quarta-feira)
Previsão de chegada em Ouro Preto: 06h do dia 15/09 (quinta-feira)


 Retorno
Saindo de Ouro Preto: 20h do dia 16/09 (sexta-feira)
Previsão de chegada ao colégio: 13h do dia 17/09 (sábado)

Proposta de análise do filme "ILHA DAS FLORES"

Colégio Estadual Colina Azul
Disciplina: Sociologia
Profª Ariane Marzzio                                            3ª série do Ensino Médio


I L H A   D A S   F L O R E S

(01) Estamos em Belém Novo, município de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, mais precisamente na latitude trinta graus, doze minutos e trinta segundos Sul e longitude cinquenta e um graus, onze minutos e vinte e três segundos Oeste.

(02) Caminhamos neste momento numa plantação de tomates e podemos ver à frente, em pé, um ser humano, no caso, um japonês.

(03) Os japoneses se distinguem dos demais seres humanos pelo formato dos olhos, por seus cabelos pretos e por seus nomes característicos.

(04) O japonês em questão chama‑se / Suzuki.

(05) Os seres humanos são animais mamíferos, bípedes, que se distinguem dos outros mamíferos, como a baleia, ou bípedes, como a galinha, principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor.

(06) O telencéfalo altamente desenvolvido permite aos seres humanos armazenar informações, relacioná‑las, processá‑las e entendê‑las.

(07) O polegar opositor permite aos seres humanos o movimento de pinça dos dedos o que, por sua vez, permite a manipulação de precisão.

(08) O telencéfalo altamente desenvolvido, combinado com a capacidade de fazer o movimento de pinça com os dedos, deu ao ser humano a possibilidade de realizar um sem número de melhoramentos em seu planeta, entre eles, cultivar tomates.

(09) O tomate, ao contrário da baleia, da galinha e dos japoneses, é um vegetal.

(10) Fruto do tomateiro, o tomate passou a ser cultivado pelas suas qualidades alimentícias a partir de mil e oitocentos.

(11) O planeta Terra  produz cerca de sessenta e um milhões de toneladas de tomates por ano.

(12) O senhor Suzuki, apesar de trabalhar cerca de doze horas por dia, é responsável por uma parte muito pequena desta produção.

(13) A utilidade principal do tomate é a alimentação dos seres humanos.

(14) O senhor Suzuki é um japonês e, portanto, um ser humano. No entanto, o senhor Suzuki não planta os tomates com a intenção de comê‑los. Quase todos os tomates produzidos pelo senhor Suzuki são entregues a um supermercado em troca de dinheiro.

(15) O dinheiro foi criado provavelmente por iniciativa de Giges, rei da Lídia, grande reino da Asia Menor, no século sete Antes de Cristo.

(16) Cristo era um judeu.

(17) Os judeus possuem o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. São, portanto, seres humanos.

(18) Até a criação do dinheiro, a economia se baseava na troca direta.

(19) A dificuldade de se avaliar a quantidade de tomates equivalentes a uma galinha e os problemas de uma troca direta de galinhas por baleias foram os motivadores principais da criação do dinheiro.

(20) A partir do século três Antes de Cristo, qualquer ação ou objeto produzido pelos seres humanos, fruto da conjugação de esforços do telencéfalo altamente desenvolvido com o polegar opositor, assim como todas as coisas vivas ou não vivas sobre e sob a terra, tomates, galinhas e baleias, podem ser trocadas por dinheiro.

(21) Para facilitar a troca de tomates por dinheiro, os seres humanos criaram os supermercados.

(22) Dona Anete é um bípede, mamífero, católico, apostólico, romano. Possui o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. é, portanto, um ser humano.

(23) Ela veio a este supermercado para, entre outras coisas, trocar seu dinheiro por tomates.

(24) Dona Anete obteve seu dinheiro em troca do trabalho que realiza.

(25) Ela utiliza seu telencéfalo altamente desenvolvido e seu polegar opositor para trocar perfumes por dinheiro.

(26) Perfumes são líquidos normalmente extraídos das flores que dão aos seres humanos um cheiro mais agradável que o natural.

(27) Dona Anete não extrai o perfume das flores. Ela troca, com uma fábrica, uma quantidade determinada de dinheiro por perfumes.

(28) Feito isso, dona Anete caminha de casa em casa trocando os perfumes por uma quantidade um pouco maior de dinheiro.

(29) A diferença entre estas duas quantidades chama‑se lucro.

(30) O lucro, que já foi proibido aos católicos, hoje é LIVRE / para todos os seres humanos.

(31) O lucro de Dona Anete é pequeno se comparado ao lucro da fábrica, mas é o suficiente para ser trocado por um quilo de tomate e dois quilos de carne, no caso, de porco.

(32) O porco é um mamífero, como os seres humanos e as baleias, porém quadrúpede.

(33) Serve de alimento aos japoneses, aos católicos e aos demais seres humanos, com exceção dos judeus.

(34) Os alimentos que Dona Anete trocou pelo dinheiro que trocou por perfumes extraídos das flores serão totalmente consumidos por sua família num período de um dia.

(35) Um dia é o intervalo de tempo que o planeta terra leva para girar completamente sobre o seu próprio eixo.

(36) Meio dia / é a hora do almoço.

(37) A família é a comunidade formada por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, e pelos filhos nascidos deste casamento.

(38) Alguns tomates que o senhor Suzuki trocou por dinheiro com o supermercado e que foram novamente trocados pelo dinheiro que dona Anete obteve como lucro na troca dos perfumes extraídos das flores foram transformados em molho para a carne de porco.

(39) Um destes tomates, que segundo o julgamento de dona Anete, não tinha condições de virar molho, foi colocado no lixo.

(40) Lixo é tudo aquilo que é produzido pelos seres humanos, numa conjugação de esforços do telencéfalo altamente  desenvolvido com o polegar opositor, e que, segundo o julgamento de um determinado ser humano, não tem condições de virar molho.

(41) Uma cidade como Porto Alegre, habitada por mais de um milhão de seres humanos, produz cerca de quinhentas toneladas de lixo por dia.

(42) O lixo atrai todos os tipos de germes e bactérias que, por sua vez, causam doenças. As doenças prejudicam seriamente o bom funcionamento dos seres humanos.

(43) Mesmo quando não provoca doenças, o aspecto e o aroma do lixo são extremamente desagradáveis.

(44) Por isso, o lixo é levado para determinados lugares, bem longe, onde possa, livremente, sujar, cheirar mal e atrair doenças.

(45) Em Porto Alegre, um dos lugares escolhidos para que o lixo cheire mal e atraia doenças chama‑se Ilha das Flores.

(46) Ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados. A água é uma substância inodora, insípida e incolor formada por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio.

(47) Flores são os órgãos de reprodução das plantas, geralmente odoríferas e de cores vivas.

(48) De flores odoríferas são extraídos perfumes, como os que do Anete trocou pelo dinheiro que trocou por tomates.

(49) Há poucas flores na Ilha das Flores. Há, no entanto, muito lixo e, no meio dele, o tomate que dona Anete julgou inadequado para o molho da carne de porco.

(50) Há também muitos porcos na ilha.

(51) O tomate que dona Anete julgou inadequado para o porco que iria servir de alimento para sua família pode vir a ser um excelente alimento para o porco e sua família, no julgamento do porco.

(52) Cabe lembrar que dona Anete tem o telencéfalo altamente desenvolvido enquanto o porco não tem nem mesmo um polegar, que dirá opositor.

(53) O porco tem, no entanto, um dono. O dono do porco é um ser humano, com telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor e dinheiro.

(54) O dono do porco trocou uma pequena parte do seu dinheiro por um terreno na Ilha das Flores, tornando‑se assim, dono do terreno.

(55) Terreno é uma porção de terra que tem um dono e uma cerca.

(56) Este terreno, onde o lixo é depositado, foi cercado para que os porcos não pudessem sair e para que outros seres humanos não pudessem entrar.

(57) Os empregados do dono do porco separam no lixo os materiais de origem orgânica que julgam adequados para a alimentação do porco.

(58) De origem orgânica é tudo aquilo que um dia esteve vivo, na forma animal ou vegetal. Tomates, galinhas, porcos, flores e papel são de origem orgânica.

(59) Este papel, por exemplo, foi utilizado para elaboração de uma prova de História da Escola de Segundo Grau Nossa Senhora das Dores e aplicado à aluna Ana Luiza Nunes, um ser humano.

(60) Uma prova de História é um teste da capacidade do telencéfalo de um ser humano de recordar dados referentes ao estudo da História, por exemplo: quem foi Mem de Sá? Quais eram as capitanias hereditárias?

(61) Recordar é viver.

(62) Alguns materiais de origem orgânica, como tomates e provas de história, são dados aos porcos como alimento.

(63) Aquilo que foi considerado impróprio para a alimentação dos porcos será utilizado na alimentação de mulheres e crianças.

(64) Mulheres e crianças são seres humanos, com telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor e nenhum dinheiro.

(65) Elas não têm dono e, o que é pior, são muitas.

(66) Por serem muitas, elas são organizadas pelos empregados do dono do porco em grupos de dez e têm a permissão de passar para o lado de dentro da cerca.

(67) Do lado de dentro da cerca elas podem pegar para si todos os alimentos que os empregados do dono do porco julgaram inadequados para o porco.

(68) Os empregados do dono do porco estipularam que cada grupo de dez seres humanos tem cinco minutos para permanecer do lado de dentro da cerca recolhendo materiais de origem orgânica, como tomates e provas de história.

(69) Cinco minutos são trezentos segundos.

(70) Desde mil novecentos e cinquenta e oito, o segundo foi definido como sendo o equivalente a nove bilhões, cento e noventa e dois milhões, seiscentos e trinta e um mil,  setecentos e setenta ciclos de radiação de um átomo de césio.

(71) O césio é um material não orgânico encontrado no lixo em Goiânia.

(72) O tomate / plantado pelo senhor Suzuki, / trocado por dinheiro com o supermercado, / trocado pelo dinheiro que dona Anete trocou por perfumes extraídos das flores, / recusado para o molho do porco, / jogado no lixo / e recusado pelos porcos como alimento / está agora disponível para os seres humanos da Ilha das Flores.

(73) O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores depois dos porcos na prioridade de escolha de alimentos é o fato de não terem dinheiro nem dono.

(74) O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser livre.

(75) Livre é o estado daquele que tem liberdade.

(76) Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

Ficha Técnica
Gênero Documentário Experimental
Diretor Jorge Furtado
Elenco Ciça Reckziegel
Ano 1989
Duração 13 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil


Roteiro de leitura do filme

1.      A realidade expressa pelo filme é comum somente a Ilha das Flores, em Porto Alegre? (alegoria para uma realidade vigente em várias cidades)
2. Qual é o trajeto percorrido pelo tomate do Sr. Suzuki ao longo de todo o filme? (produto) (alimento) (lixo)
3. Qual a importância que o dinheiro tem ao longo de todo o processo do filme? (mecanismo de exclusão) (mecanismo para facilitar as transações comerciais)
4. Por que o filme cita os judeus como exemplos de seres humanos? (Jesus-judeu) (judeu-Holocausto) (judeu-não come porco)
5. Quais questões no enredo colocam o porco como protagonista temático? (porco-judeu) (porco-alimento) (porco-superior ao humano)
6. Qual o percurso do lixo ao longo do enredo? (lixo-tomate) (lixo-atrai germes e causa doenças) (lixo-humano) (lixo-cheirar mal) (questão ambiental/poluição)
7. O nome Ilha das Flores e a relação com a definição de ilha, de água e de flor;
8.      Alimento (inadequado ao homem e adequado ao porco) (inadequado ao porco e adequado a um determinado tipo de homem);
9.      Dono (porcos com dono) (seres humanos sem dono);
10. Primeira definição de ser humano (telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor);
11. Segunda definição dos seres humanos da Ilha das Flores (telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor, sem dinheiro e nenhum dono).
12.  Qual é o seu conceito de liberdade? Como fica a liberdade para os seres humanos da Ilha das Flores?
13. Se a liberdade também é um fator que diferencia o homem, como podemos definir (metaforicamente) os seres humanos da Ilha das Flores?
14. De que forma foram abordados os valores ideológicos referentes à família, ao lucro e à propriedade privada?

Construa um texto contemplando os pontos supracitados